Sobre a morte

Na última semana, em nosso país, muitas pessoas comemoraram a Quarta-feira de Cinzas. Popularmente, essa é uma data que recorda a efemeridade e a fragilidade da vida humana, sempre sujeita à morte. Mas será que paramos, de fato, para pensar nessa realidade?

Para Elisabeth Kübler-Ross (1969), do ponto de vista psicológico, frequentemente nos esquivamos da verdade sobre nossa finitude, bem como da nossa completa incapacidade de prever o momento em que deixaremos de viver. Nesse sentido, temos dificuldade em aceitar nossa mortalidade e, por isso, acreditamos — ainda que inconscientemente — em nossa imortalidade. Tal circunstância nos leva a suportar com mais facilidade a morte do outro, que está distante e, portanto, não nos afeta diretamente, reforçando essa crença. Muitos pensam, ainda que remotamente e sem o admitir: "Ufa, ainda bem que não foi comigo."

Refletir sobre a própria morte é, no entanto, essencial. E essa reflexão é pessoal e intransferível, não podendo ser feita por nenhum computador, inteligência artificial ou grupo de outras pessoas. Encarar essa possibilidade nos conduz a uma maior aceitação da condição humana e, assim, a um caminho de mais paz interior diante da realidade.

É preciso, portanto, falar sobre a morte e o morrer. Devemos abordá-la — de maneira suave e condizente com a faixa etária — com crianças e jovens. Não transformemos em tabu a maior consequência de estar vivo, mas contemplemo-la com serenidade e sentido. Afinal, "a todos, nobres e plebeus, príncipes ou vassalos, estará reservada a mesma sorte" (LIGÓRIO, 2022, p. 19).





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